Ferramenta local de apoio à análise de depoimentos gravados

Indicadores, não vereditos.

O Analisador assiste ao depoimento por você: transcreve cada fala, mede voz e corpo contra a linha de base do próprio depoente e devolve um relatório em que cada apontamento vem com o trecho exato, o minuto e a página da fonte científica que o embasa.

100% local — nenhum vídeo sai da máquina · citações literais com página (art. 46, III, Lei 9.610/98) · Ekman · DePaulo · Vrij · CBCA

Trecho real de relatório · vídeo de demonstração
Depoente00:00:25–00:00:39

Olha, eu acho que talvez, não sei, sei lá, não lembro bem. Para ser sincero, eu não tenho certeza do horário exato, juro que não consigo recordar.

Linguagem de incerteza (hedging) evidência alta

22,2 ocorrências por 100 palavras — o dobro da linha de base do próprio depoente.

“…liars did sound more uncertain than truth tellers (d = 0.30).” — DePaulo et al., Psychological Bulletin, p. 94, 2003.

Primeiro, o que esta ferramenta não faz

Ela não detecta mentiras — nada detecta.

Este relatório aponta INDICADORES de stress, hesitação e incongruência em relação à linha de base do próprio falante. Ele NÃO detecta mentiras. A literatura científica (Bond & DePaulo, 2006) demonstra que nenhum método baseado em comportamento distingue verdade de mentira com confiabilidade — a precisão humana média é de ~54%. Os indicadores servem apenas para orientar aprofundamento de perguntas e revisão manual dos trechos destacados. Este documento não constitui prova e não deve fundamentar juízo sobre a veracidade de declarações. O tratamento de imagem, voz e dados comportamentais de terceiros exige base legal adequada nos termos da LGPD (Lei nº 13.709/2018).

Como funciona

Seis etapas, todas executadas localmente. A ordem importa: cada camada alimenta a seguinte, e o relatório final costura tudo por timestamp.

  1. Extração do áudioO vídeo nunca sai do computador; o som é isolado com ffmpeg.
  2. Transcrição com timestampsWhisper local transcreve em português com marcação temporal por palavra.
  3. Separação de falantes (opcional)Diarização por voz distingue depoente e entrevistador; a análise se restringe ao depoente.
  4. Análise vocalPitch (Praat), latência de resposta, pausas internas e velocidade de fala.
  5. Análise corporalMediaPipe rastreia gestos mão-rosto, postura, rotação da cabeça e acenos.
  6. Relatório fundamentadoCada indicador sai com a fala ou gesto exato, o hh:mm:ss, a medida e a citação literal da fonte com página.

Os 14 marcadores

Cada marcador carrega seu grau de evidência declarado — verde para meta-análises, âmbar para suporte parcial, vermelho para tradição popular sem validação. A fraqueza declarada é parte do método: um marcador fraco apresentado como forte destruiria a credibilidade do relatório.

Verbais — o que é dito

A camada com melhor suporte científico (statement analysis).

Linguagem de incerteza (hedging) evidência alta

Expressões que reduzem o compromisso com a afirmação: 'acho que', 'talvez', 'se não me engano'. Indicam baixa convicção sobre o conteúdo.

DePaulo et al. (2003), em meta-análise de 158 indicadores sobre 120 estudos, verificaram que relatos enganosos tendem a soar menos comprometidos, menos convincentes e menos certos (efeito pequeno, porém consistente). Vrij (2008) trata as expressões de incerteza como redução do comprometimento do falante com a própria afirmação — sinal de baixa convicção ou de formulação sob esforço, nunca prova de falsidade.

The one cue that was consistent with our prediction that liars would seem less certain than truth tellers was verbal and vocal uncertainty (as measured by subjective impressions); liars did sound more uncertain than truth tellers (d = 0.30).DEPAULO, B. M. et al. Cues to Deception. Psychological Bulletin, v. 129, n. 1, p. 94, 2003.

Fonte: DePaulo et al. (2003), Psychological Bulletin, p. 74-118; Vrij (2008), Detecting Lies and Deceit, cap. 4

↔ No CBCA, este mesmo traço é o critério 15 (Reconhecimento de falta de memória) e conta a favor da credibilidade.

Protestos de honestidade evidência média

Reforços espontâneos de veracidade: 'juro', 'para ser sincero', 'a verdade é que'. Podem sinalizar necessidade de convencer além do relato.

Ekman (1985) observa que a afirmação espontânea e repetida da própria honestidade pode indicar necessidade de convencer o interlocutor além do que o relato sustenta; adverte, porém, contra o 'erro de Otelo' — pessoas honestas também protestam sinceridade quando temem não ser acreditadas. Vrij (2008) o classifica como indicador fraco e dependente de contexto.

Uma pessoa sincera que está preocupada em não ser acreditada pode, a partir desse medo, mostrar o mesmo tom elevado que um mentiroso pode manifestar porque tem medo de ser pego. O problema para o caçador de mentiras é que os inocentes às vezes também ficam emocionalmente excitados, não apenas os mentirosos.EKMAN, P. Telling Lies (1985) — conceito do “erro de Otelo”. TRADUÇÃO LIVRE (redação não oficial, automática); conferir na edição impressa oficial antes de uso citacional.

Fonte: Ekman (1985), Telling Lies, cap. 3; Vrij (2008), cap. 3

Linguagem de distanciamento evidência média

Substituição de nomes por termos impessoais ('aquela pessoa', 'tal indivíduo'), reduzindo vínculo psicológico com o relatado.

Newman et al. (2003), analisando o estilo linguístico de relatos verdadeiros e falsos, encontraram que relatos enganosos usam mais termos que distanciam o falante do conteúdo. DePaulo et al. (2003) associam a linguagem impessoal a menor apropriação psicológica do relato.

Knapp, Hart, and Dennis (1974) hypothesized that liars may avoid statements of ownership either to “dissociate” themselves from their words or due to a lack of personal experience.NEWMAN, M. L. et al. Lying Words: Predicting Deception from Linguistic Styles. Personality and Social Psychology Bulletin, v. 29, n. 5, p. 666, 2003 (apud Knapp, Hart & Dennis, 1974).

Fonte: Newman et al. (2003), Personality and Social Psychology Bulletin, p. 665-675; DePaulo et al. (2003)

Baixa autorreferência evidência alta

Uso reduzido de 'eu', 'meu', 'minha' em comparação com a linha de base. Associado a distanciamento do próprio relato.

Newman et al. (2003) identificaram que relatos falsos apresentam menor uso de pronomes de primeira pessoa ('eu', 'meu'), interpretado como distanciamento psicológico do próprio discurso. É um dos marcadores linguísticos com melhor replicação na literatura.

First, the use of the first-person singular is a subtle proclamation of one’s ownership of a statement.NEWMAN, M. L. et al. Lying Words: Predicting Deception from Linguistic Styles. Personality and Social Psychology Bulletin, v. 29, n. 5, p. 666, 2003.
Specifically, deceptive communication was characterized by the use of fewer first-person singular pronouns (e.g., I, me, my).NEWMAN, M. L. et al. Lying Words: Predicting Deception from Linguistic Styles. Personality and Social Psychology Bulletin, v. 29, n. 5, p. 672, 2003.

Fonte: Newman et al. (2003), Personality and Social Psychology Bulletin, p. 665-675

Correções e reformulações evidência baixa

'Quer dizer', 'ou melhor', 'na verdade' — reconstrução do relato em tempo real. Sinaliza formulação sob esforço frente à linha de base; NÃO aponta para engano.

A previsão teórica de Vrij (2008, carga cognitiva) — de que construir um relato inventado poderia gerar mais correções — NÃO se confirma na meta-análise de DePaulo et al. (2003): quem se corrige espontaneamente mostrou-se MAIS propenso a dizer a verdade (correções: d = −0,29). Logo, o sinal serve apenas como marcador de esforço/hesitação frente à linha de base, jamais como indício de mentira — e, se algo, aponta na direção contrária.

People who spontaneously corrected themselves and who admitted that they could not remember everything about the story they were relating, were more likely to be telling the truth than to be lying.DEPAULO, B. M. et al. Cues to Deception. Psychological Bulletin, v. 129, n. 1, p. 104, 2003.

Fonte: DePaulo et al. (2003), Psychological Bulletin, p. 74-118 (contradiz a leitura de engano); Vrij (2008), cap. 6

↔ No CBCA, este mesmo traço é o critério 14 (Correções espontâneas) e conta a favor da credibilidade.

Muletas verbais e preenchedores evidência média

'Né', 'tipo', 'assim', 'enfim' acima da linha de base pessoal; associadas a hesitação e formulação sob esforço.

Sporer & Schwandt (2006), em meta-análise de indicadores paraverbais, associam o aumento de preenchedores e hesitações à formulação sob esforço. O sinal só é interpretável frente à linha de base do próprio falante.

Fonte: Sporer & Schwandt (2006), Applied Cognitive Psychology, p. 421-446

Vocais — como é dito

Latência, pausas, velocidade e tom, sempre contra a linha de base pessoal.

Latência de resposta elevada evidência média

Demora acima da linha de base para iniciar a fala após o fim do trecho anterior. Associada a maior carga cognitiva na formulação.

Sporer & Schwandt (2006) encontraram associação positiva entre latência de resposta (tempo até iniciar a fala) e engano, coerente com a hipótese de carga cognitiva de Vrij (2008). A meta-análise mais ampla de DePaulo et al. (2003), porém, encontrou efeito praticamente nulo para latência de resposta (d ≈ 0,02) — evidência mista. Por isso a leitura vale apenas como desvio da linha de base do falante, não como sinal de engano.

No estudo de Vrij, Edward e Bull (2001a), o tempo de latência foi maior e o comportamento observável foi mais parcimonioso (houve menos movimentos corporais, a fala foi mais lenta) nos entrevistados que relatam um evento não verdadeiro.MACHADO, P. V. Estudo exploratório sobre critérios de veracidade em relatos de eventos de vida. Dissertação (Mestrado em Psicologia) — UFRGS, Porto Alegre, 2014, p. 21-22 (apud Vrij, Edward & Bull, 2001a).

Fonte: Vrij, Edward & Bull (2001a) apud Machado (2014, UFRGS), p. 21-22; Sporer & Schwandt (2006), p. 421-446; DePaulo et al. (2003), p. 74-118; Vrij (2008), cap. 6

Pausas internas frequentes evidência média

Interrupções longas dentro da própria fala, acima do padrão pessoal.

Sporer & Schwandt (2006) relatam associação entre pausas e engano com magnitude modesta e alta variabilidade entre estudos; interpretável apenas contra a linha de base do falante.

O enfoque comportamental compreende a observação da conduta não-verbal e da conduta paraverbal. Exemplos: movimento corporal (em especial, as mãos), gestos, manipulação de objetos, contato ocular, movimentos oculares e diversos elementos da fala (latência de respostas, autocorreções, número de pausas, velocidade da fala, alterações no tom de voz, etc.).MACHADO, P. V. Estudo exploratório sobre critérios de veracidade em relatos de eventos de vida. Dissertação (Mestrado em Psicologia) — UFRGS, Porto Alegre, 2014, p. 21.

Fonte: Machado (2014, UFRGS), p. 21; Sporer & Schwandt (2006), Applied Cognitive Psychology, p. 421-446

Elevação do tom de voz (pitch) evidência alta

Frequência fundamental média acima da linha de base do falante; um dos indicadores vocais de stress com melhor suporte empírico.

Sporer & Schwandt (2006) e Ekman (1985) apontam a elevação da frequência fundamental (pitch) como um dos correlatos vocais mais consistentes de excitação emocional/stress. Ekman ressalva que o stress indica emoção, não necessariamente mentira.

Liars were more nervous and tense overall than truth tellers (d = 0.27). They were more vocally tense (d = 0.26) and spoke in a higher pitch (d = 0.21).DEPAULO, B. M. et al. Cues to Deception. Psychological Bulletin, v. 129, n. 1, p. 96, 2003.

Fonte: Sporer & Schwandt (2006); Ekman (1985), Telling Lies, cap. 4

Velocidade de fala alterada evidência média

Fala significativamente mais lenta ou mais rápida que a linha de base pessoal.

Vrij (2008) observa que tanto a aceleração quanto a lentidão da fala, em desvio do padrão pessoal, podem acompanhar esforço cognitivo ou emocional; a direção do efeito varia entre indivíduos, daí a leitura apenas relativa à linha de base.

No estudo de Vrij, Edward e Bull (2001a), o tempo de latência foi maior e o comportamento observável foi mais parcimonioso (houve menos movimentos corporais, a fala foi mais lenta) nos entrevistados que relatam um evento não verdadeiro.MACHADO, P. V. Estudo exploratório sobre critérios de veracidade em relatos de eventos de vida. Dissertação (Mestrado em Psicologia) — UFRGS, Porto Alegre, 2014, p. 21-22 (apud Vrij, Edward & Bull, 2001a).

Fonte: Vrij, Edward & Bull (2001a) apud Machado (2014, UFRGS), p. 21-22; Vrij (2008), cap. 3

Corporais — o que o corpo faz

A camada mais popular e a de menor validade; tratada com o dobro de cautela.

Gestos adaptadores mão-rosto evidência baixa

Mão levada ao rosto/cabeça durante a fala. A tradição popular associa a ocultação; a literatura científica trata como adaptador de autorregulação sob desconforto — não como prova de mentira.

Weil & Tompakow ('O Corpo Fala') descrevem gestos de levar a mão ao rosto/boca como sinais de contenção ou dúvida. Ekman (1985) classifica-os como 'adaptadores' — gestos de autorregulação sob desconforto — e adverte que NÃO distinguem verdade de mentira. Pease & Pease (2005) reforçam a leitura popular, também sem validação experimental.

Fonte: Weil & Tompakow, O Corpo Fala; Ekman (1985), Telling Lies (adaptadores); Pease & Pease (2005)

Mudanças bruscas de postura evidência baixa

Deslocamentos de tronco/ombros acima do padrão pessoal durante o trecho; associados a desconforto com o tema.

Weil & Tompakow ('O Corpo Fala') associam deslocamentos bruscos de tronco a desconforto com o tema. Vrij (2008), porém, mostra que os movimentos corporais frequentemente DIMINUEM durante o engano (rigidez), contrariando a crença popular — daí a baixa confiabilidade deste sinal isolado.

Alguém à sua frente cruza ou descruza os braços, muda a posição do pé esquerdo ou vira as palmas das mãos para cima. Tudo isso são gestos inconscientes e que, por isso mesmo, se relacionam com o que se passa no íntimo das pessoas.WEIL, P.; TOMPAKOW, R. O Corpo Fala. Petrópolis: Vozes (edição digital, sem paginação fixa).

Fonte: Weil & Tompakow, O Corpo Fala; Vrij (2008), cap. 3

Aversão da cabeça evidência baixa

Rotação da cabeça para fora do eixo da câmera acima da linha de base. A crença de que 'desviar o olhar' indica mentira NÃO tem suporte científico; registra-se apenas como mudança de padrão.

A crença de que desviar o olhar/cabeça indica mentira é uma das mais difundidas no mundo (Global Deception Research Team, 2006), mas Bond & DePaulo (2006) demonstram que não tem validade preditiva. Registra-se aqui apenas como mudança em relação ao padrão do falante, sem qualquer inferência de veracidade.

Lembremo-nos que instintivamente desaprovamos gente que sempre desvia seu olhar do nosso, durante um diálogo, ou que, de mão inerte, não responde ao nosso aperto de mãos com igual aperto!WEIL, P.; TOMPAKOW, R. O Corpo Fala. Petrópolis: Vozes (edição digital) — registra a crença popular; sua validade preditiva é refutada por Bond & DePaulo (2006).

Fonte: Global Deception Research Team (2006), J. Cross-Cultural Psychology; Bond & DePaulo (2006)

Possível incongruência gestual evidência média

Aceno vertical de cabeça (padrão de 'sim') em trecho com negação verbal, ou horizontal em afirmação. Requer verificação manual no vídeo.

Ekman (1985) descreve o 'vazamento' (leakage) não verbal: um gesto que contradiz a fala — acenar 'sim' ao negar — pode revelar conflito entre a mensagem verbal e a reação espontânea. Exige verificação manual do trecho, pois acenos têm muitas causas concorrentes.

By all three of the indicators, the lies made less sense than the truths. They were less plausible (d = –0.23); less likely to be structured in a logical, sensible way (d = –0.25); and more likely to be internally discrepant or to convey ambivalence (d = 0.34).DEPAULO, B. M. et al. Cues to Deception. Psychological Bulletin, v. 129, n. 1, p. 92, 2003.

Fonte: DePaulo et al. (2003), Psychological Bulletin, p. 74-118; Ekman (1985), Telling Lies, cap. 5 (leakage); Weil & Tompakow, O Corpo Fala

Credibilidade: os critérios CBCA

A ferramenta também roda a lente inversa — o CBCA (Criteria-Based Content Analysis, núcleo do SVA de Steller & Köhnken), que procura qualidades associadas a relatos genuínos. Os números são os do protocolo original.

A premissa principal do SVA é a de que um testemunho derivado da memória de uma experiência real difere em conteúdo e em qualidade de um testemunho baseado em fantasia ou invenção. Essa premissa é conhecida como a Hipótese de Undeutsch.MACHADO, P. V. Estudo exploratório sobre critérios de veracidade em relatos de eventos de vida. Dissertação (Mestrado em Psicologia) — UFRGS, Porto Alegre, 2014, p. 23 e 25-28 (CBCA, adaptado de Steller & Köhnken, 1989; cf. Vrij, 2005). Acurácia do SVA ~70% (margem de erro de ~30%); não validado no Brasil como técnica exclusiva.

Limite declarado

O SVA não é uma técnica que detecta mentiras: ela mostra os aspectos de um relato que fazem com que ele tenha mais credibilidade. A ausência de critérios não pode ser usada para interpretar o relato como mentiroso: ele apenas não proporciona suficientes indícios de credibilidade. São proxies automáticos: uma avaliação CBCA real exige avaliador treinado, entrevista cognitiva e o relato completo. Acurácia do SVA ≈ 70%; não validado no Brasil como técnica exclusiva.

3Quantidade de detalhes credibilidade
Quantidade apropriada de detalhes, ou seja, devem ser fornecidos detalhes suficientes para que o ouvinte entenda o relato. Por isso, é pontuado esse critério quando o avaliador considera que há uma grande quantidade de detalhes sobre o tópico principal. Machado (2014, UFRGS), p. 26
4Encaixe contextual credibilidade
A declaração inclui referências a circunstâncias situacionais da pessoa no momento do suposto evento (por exemplo, tempo, lugar). Esses detalhes devem ter relação com o evento principal. Machado (2014, UFRGS), p. 26
6Reprodução de verbalizações credibilidade
Deve haver uma sequência complexa de conversação, isto é, se a pessoa descreve um encadeamento de perguntas e respostas entrelaçadas, conectadas, com conteúdo específico, em que fica claro quem diz o quê. Machado (2014, UFRGS), p. 26
14Correções espontâneas credibilidade
Correções feitas sem a intervenção do entrevistador. É preenchido o critério se quem presta a declaração corrige-a espontaneamente, mostrando, assim, uma perspectiva crítica sobre sua (suposta) memória. Machado (2014, UFRGS), p. 27

↔ Lido pela ótica do engano, aparece como “Correções e reformulações”.

15Reconhecimento de falta de memória credibilidade
Admissão de falta de memória. Essa admissão também pode ocorrer através da expressão de preocupação de que talvez partes de seu relato poderão não estar corretas, por não lembrar-se bem. Machado (2014, UFRGS), p. 28

↔ Lido pela ótica do engano, aparece como “Linguagem de incerteza (hedging)”.

O efeito espelho

A peça mais honesta do relatório: o mesmo comportamento muda de sinal conforme a literatura usada para lê-lo. O relatório imprime as duas leituras lado a lado — e deixa a conclusão com quem tem competência para concluir.

O depoente dizLente do enganoLente do CBCA (validada)
“Na verdade… quer dizer…”Correções e reformulações (hesitação) Critério 14 — correção espontânea: a favor da credibilidade (DePaulo: d = −0,29)
“Não lembro bem, não tenho certeza”Linguagem de incerteza (hedging) Critério 15 — admissão de falta de memória: a favor da credibilidade

Como usar

  1. Arraste o vídeoSolte o arquivo (.mp4, .mov…) sobre ANALISAR-VIDEO.bat.
  2. Aguarde o processamentoNa primeira execução, os modelos são baixados uma única vez.
  3. Leia o relatórioEle abre sozinho no navegador, com cada indicador clicável.

No terminal, opções avançadas: --diarizar separa depoente e entrevistador · --falantes 2 fixa o nº de vozes · --depoente N corrige quem é o depoente · --modelo medium transcrição mais precisa · --sem-visual só áudio e texto.

Referências

  1. BOND, C. F.; DEPAULO, B. M. Accuracy of deception judgments. Personality and Social Psychology Review, v. 10, n. 3, p. 214-234, 2006.
  2. DEPAULO, B. M. et al. Cues to deception. Psychological Bulletin, v. 129, n. 1, p. 74-118, 2003.
  3. EKMAN, P. Telling Lies: Clues to Deceit in the Marketplace, Politics, and Marriage. New York: Norton, 1985.
  4. GLOBAL DECEPTION RESEARCH TEAM. A world of lies. Journal of Cross-Cultural Psychology, v. 37, n. 1, p. 60-74, 2006.
  5. NEWMAN, M. L. et al. Lying words: predicting deception from linguistic styles. Personality and Social Psychology Bulletin, v. 29, n. 5, p. 665-675, 2003.
  6. PEASE, A.; PEASE, B. Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal. Rio de Janeiro: Sextante, 2005.
  7. SPORER, S. L.; SCHWANDT, B. Paraverbal indicators of deception: a meta-analytic synthesis. Applied Cognitive Psychology, v. 20, n. 4, p. 421-446, 2006.
  8. VRIJ, A. Detecting Lies and Deceit: Pitfalls and Opportunities. 2. ed. Chichester: Wiley, 2008.
  9. WEIL, P.; TOMPAKOW, R. O Corpo Fala: a linguagem silenciosa da comunicação não verbal. Petrópolis: Vozes, 1986.